| Os Animadores |
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| Escrito por António Valério sj |
| Segunda, 07 Dezembro 2009 14:49 |
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Reunião de animadores no final do 7º dia de campo. O director propõe a agenda com palavras sábias, dizendo para cada um referir brevemente algo do dia e depois fazer uma passagem pelo dia seguinte, vendo o que já está feito e distribuir tarefas para o dia seguinte. Todos dizem que sim, ansiosos para ir dormir, se bem que alguns já o tenham começado ali a fazer. São 16 animadores, quase todos universitários e dois deles já trabalham. Sente-se no ar a preocupação que o campo ainda não tenha dado o “click”. Falta fazer ainda qualquer coisa, para que um acontecimento dos próximos dias possa dar um sentido ao caminho que todos estão a fazer. O grande problema é que parece não haver muitas forças de reserva para proporcionar ainda o tal momento… Enquanto via isto, pensava em que coisa faria com que estes animadores estivessem ali, no limite da força e da paciência, a encontrar modos de tornar melhor a experiência que, por si mesma, estava a correr tão bem. Poderiam ser várias coisas: Depois de vários anos como participantes, o seu sonho era que, finalmente, pudessem dar a outros aquilo que tinham recebido. Dar isso e ainda mais… é impressionante a exigência que se vê em não ficar atrás do dom recebido, mas superar, inventar coisas novas, cuidar dos participantes e trazer-lhes algo que os faça crescer. Sem saber como, o mais de santo Inácio está muito presente, é um desafio constante. Um outro aspecto é a coragem de lidar com os próprios limites e conhecer o que se pode dar. Uma atitude muito saudável que tenho encontrado entre animadores é o facto de não haver muitas comparações, em não querer ser animador-estrela, que só dê espectáculo de roda, mas que possa dar aquilo que tem para dar. Aí ninguém fica atrás, todos os temperamentos e talentos servem para se completarem mutuamente. Os animadores sabem puxar uns pelos outros, confiam no que cada um pode fazer. E admiro cada vez mais os animadores low-profile, num trabalho mais escondido, mas de uma generosidade e qualidade humana que comovem. Por fim, aquilo que sobressai muito é a consciência de que o serviço gratuito vale a pena. Várias vezes encontrei animadores que já trabalham e dão 10 dias das suas poucas férias para fazer um campo. Não é certamente para descansar, mas para encher a alma de cores e sons que fazem falta. É uma simplicidade espontânea, quase um desejo de regressar a tempos originais em que as coisas são bonitas em si mesmas e vale a pena entregar tempo e energia para as fazer presentes. No fim da reunião, fez-se silêncio, quando cada um, olhando o seu dia, ia percebendo os seus gestos, como se os olhasse do céu. Era uma contemplação feliz, já se tinha feito tanto! A preocupação deu lugar ao agradecimento e à aceitação da bondade do que cada um é e faz. O campo já estava ganho, bastava continuar numa atitude marcada pelo amor e pela autenticidade. O que os participantes precisam é de exemplos de alegria, atenção e disponibilidade. Para isso, basta ser. |
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